
O livro de William Gibson, autor do universo que foi capturado por diversas séries, quadrinhos e filmes, como a trilogia Matrix, me trouxe uma série de questões que achei pertinentes para nosso tempo. Observemos algumas dessas descrições envolvidas numa trama que envolve o aspecto psicológico e da organização social assumida por um padrão para o reconhecimento de comportamentos. Algo que lembra a programação de computadores que aprendem, passando pelo reconhecimento de padrões do sistema sensorial e comportamentos supervisionados que permitiriam sua previsão. Neste contexto, seria o comportamento humano cada vez mais próximo a reações controladas dentro de um campo determinado de possibilidades previsíveis de ações ? – Algo como o fundo de verdade sobre o qual trabalha a programação em aprendizagem de máquinas onde o comportamento humano seria uma variável num campo de expectativas controlado e previsível ?
Para Gibson, algo disso está presente num profissional muito comum hoje, o cool hunter, ou o caçador de tendências, sendo participante de um sistema de entrada de informações em um determinado campo previsto de comportamento. Relacionando a atuação desta forma de publicidade à programaçãp de computadores que aprendem, ele seria uma representação da previsão estatística do maximum a posteriori, isto é, a previsão de uma reação ou ação com a máxima aproximação e mínimo erro, muito útil, caso aplicada socialmente, na política e, obviamente, na economia, criando um mercado que prevê tendências que se crêem espontâneas em seus efeitos capturados pela indústria, ou ainda sendo capaz de dirigir um comportamento sem se fazer notar.
É uma curiosa construção de ficção científica calcada nos objetos, na psicologia e no ambiente de interação entre o mercado e o comportamento humano em sua dimensão mais íntimo, especialmente onde ele se crê autêntico e fora destas estruturas de determinação para sua identidade. Não sendo propriamente, nem distópica, universo paralelo, mas um mundo presente que reconhece uma forma de tecnologia social avançada, assustadora e cada vez mais presente. Escolhemos alguns trechos para um início de prosa tomando como foco o funcionamento da publicidade neste contexto.